RUBIS DE CABO DELGADO MOVIMENTAM MAIS DE MIL MILHÕES DE EUROS

Em Cabo Delgado, uma das principais riquezas minerais de Moçambique continua a gerar receitas expressivas no mercado internacional. A Montepuez Ruby Mining (MRM), operada pela Gemfields, já ultrapassou a marca de 1,1 mil milhões de euros em receitas provenientes de leilões de rubis desde 2014, consolidando a relevância da região no comércio mundial de pedras preciosas. A empresa opera numa área de cerca de 33.600 hectares e iniciou a exploração comercial dos rubis de Montepuez em 2012.
Os resultados mais recentes mostram que a actividade continua em expansão. No primeiro semestre de 2026, a MRM registou receitas de 64,9 milhões de euros, praticamente o dobro do valor alcançado no mesmo período de 2025, quando foram arrecadados 33,2 milhões de euros. O desempenho esteve associado aos dois leilões realizados este ano: o primeiro, em fevereiro, gerou 45,2 milhões de euros, enquanto o segundo, realizado em junho, acrescentou 19,7 milhões de euros.
A dimensão desses valores ajuda a perceber o peso económico dos rubis de Cabo Delgado para a indústria extractiva moçambicana. A Gemfields informa que detém 75% da MRM, enquanto os restantes 25% pertencem à empresa moçambicana Mwiriti Limitada. A companhia também afirma que as receitas dos leilões são repatriadas para Moçambique e que os royalties devidos ao Estado são pagos sobre o valor integral das vendas.
A riqueza mineral, contudo, coloca uma questão que ultrapassa os números dos leilões: quanto dessa riqueza se converte efectivamente em desenvolvimento para as comunidades que vivem no território de exploração? A resposta exige olhar para além das receitas geradas e considerar emprego, tributação, infra-estruturas, serviços públicos e impactos sociais e ambientais da actividade mineira.
A própria empresa afirma empregar cerca de 1.400 pessoas, das quais 95% são moçambicanas, e apresenta programas destinados às comunidades próximas da mina.
Entre a extracção em Cabo Delgado e a venda nos mercados internacionais, os rubis percorrem uma cadeia económica de elevado valor. O desafio permanece em transformar essa riqueza subterrânea em benefícios suficientemente visíveis à superfície — sobretudo para as populações que vivem junto às áreas de exploração.


