O Comitê de Supervisão da Meta, órgão independente que monitora as ações das plataformas do grupo — Facebook, Instagram e WhatsApp —, divulgou em 20 de outubro de 2026 um relatório criticando falhas recorrentes na proteção das eleições em diversos países, incluindo o Brasil e os Estados Unidos. O comitê ressaltou a necessidade de maior transparência por parte da empresa e cobrou aprimoramentos em seus sistemas.

Função e autonomia do Comitê de Supervisão

O Comitê da Meta opera de forma independente, financiado por um fundo separado da empresa que impede a retirada de recursos para garantir autonomia. Suas decisões referentes a contas e publicações específicas são obrigatórias para a Meta, embora as sugestões para mudanças nas políticas da plataforma não sejam compulsórias. Entretanto, a empresa deve responder publicamente a cada recomendação em até 60 dias.

Críticas ao tratamento das contas no Brasil

No caso brasileiro, o comitê destacou que as políticas de combate a fraudes foram aplicadas de modo excessivo às contas de anúncios da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição. A conta utilizada para impulsionar publicações foi desativada em 23 de setembro de 2026, o que gerou acusações da equipe do presidente sobre interferência eleitoral indevida. A Meta negou que tenha havido interferência política e qualificou a desativação como um erro, esclarecendo que o perfil ficou fora do ar por pouco mais de uma hora. O comitê entende que o caso deveria ter sido encaminhado para revisores especializados para evitar punições indevidas.

Ocorrências nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, um incidente semelhante envolveu a remoção da conta do movimento No Kings no Instagram, três dias antes das eleições de meio de mandato. Para os copresidentes do comitê, os sistemas automáticos de prevenção deveriam ter identificado o erro antes da exclusão do perfil. Além disso, questionaram por que a conta não foi incluída no programa de verificação cruzada, que assegura a análise humana de entidades cívicas relevantes, aumentando os riscos de censura equivocada.

Demandas por mais transparência e contexto

O Comitê de Supervisão recomendou que a Meta divulgue indicadores públicos que comprovem a eficácia da proteção eleitoral nas suas plataformas. Também exigiu o desenvolvimento de ferramentas automáticas que considerem nuances de idioma e cenário político local para melhorar a identificação de desinformação e fraudes sem prejudicar discursos legítimos.

Compromissos não cumpridos pela Meta

Em 2025, a empresa anunciou planos para permitir um debate político mais amplo e reduzir erros na moderação de conteúdos. O comitê avaliou que essas promessas ainda não foram integralmente implementadas, considerando que os problemas persistem e demandam soluções mais eficazes e transparentes.

Fonte: Radioagência Nacional