Documentário NAZA e suas revelações impactantes sobre Gaza

O documentário britânico NAZA, escrito e dirigido por Yuval Abraham e Rachel Szor, traz à tona denúncias diretas de militares israelenses sobre uma ofensiva calculada e deliberada contra civis palestinos em Gaza. Lançado em 2026, o filme se baseia em entrevistas anônimas com vinte e quatro soldados e oficiais de inteligência israelenses que participaram ativamente das operações militares na Faixa de Gaza.

Esses relatos de agentes envolvidos operacionalmente revelam que os ataques não seriam meros efeitos colaterais trágicos de confrontos contra grupos armados como o Hamas, mas sim uma prática sistemática com objetivo explícito de destruição. O título “NAZA”, acrônimo hebraico para “danos colaterais”, ironiza a linguagem oficial israelense que tenta minimizar as mortes de civis, ocultando o conhecimento prévio da extensão da destruição e o caráter intencional da campanha.

Testemunhos que revelam um sistema e não meras exceções

Ao contrário do que costuma ser narrado, os testemunhos reforçam a existência de um sistema estruturado, com ordens e protocolos que levaram à “massacre de civis palestinos”, classificados por entidades internacionais como genocídio. Entre os relatos, um oficial recorda ter autorizado bombardeios em residências onde famílias realizavam atividades corriqueiras —casos com presença de crianças, sons domésticos e orações— caracterizando a destruição como intuito final e não um acidente de guerra.

É importante destacar que a participação nesses crimes não se limitou a um segmento extremo da sociedade israelense: muitos dos entrevistados pertencem a unidades de elite e à elite socioeconômica do país, com cargos de inteligência e forças aéreas. A intenção do documentário é justamente quebrar o silêncio e a negação que facilitam a perpetuação das atrocidades em Gaza.

Repercussão e importância internacional do filme

NAZA estreou no 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza, onde recebeu uma ovacão de 24,5 minutos, a mais longa da história do evento, e conquistou o Prêmio Especial do Júri. A crítica italiana destacou a coragem do filme em expor o que chama de “consciência culpada” do Estado israelense e a necessidade de responsabilização.
O documentário, distribuído pelo The Guardian, pretende ampliar o debate público e apoiar esforços internacionais para justiça, expondo nomes e rostos que preferem permanecer anônimos por medo de represálias.
O longa também dedica atenção à normalidade noturna em Tel Aviv, em contraste direto com a violência a apenas 60 quilômetros de distância, questionando o grau de conformidade e indiferença dentro da sociedade israelense.

Limitações e contexto

Embora o filme apresente testemunhos contundentes, sua abordagem é centrada na narrativa interna israelense, sem incluir respostas oficiais governamentais ou perspectivas dos afetados palestinos, o que reflete uma escolha deliberada para incentivar a reflexão sobre o sistema militar e político israelense. Além disso, denúncias de crimes de guerra encontram eco em investigações de organismos internacionais, mas continuam sujeitas a debates políticos complexos.

Fontes consultadas:
“NAZA”: Revelando la máquina de matar de Israel en Gaza – Viento Sur