Nos últimos dois anos, o presidente Donald Trump e o Partido Republicano mantiveram o controle da presidência, das duas casas do Congresso, da Suprema Corte e de diversos governos estaduais nos Estados Unidos, fazendo parecer que Trump era politicamente invencível. Entretanto, análises recentes indicam uma mudança significativa na opinião pública, com o povo americano se voltando contra Trump e sinalizando uma possível derrota republicana nas eleições de meio de mandato agendadas para 3 de novembro de 2026, segundo reportagem da International Viewpoint, revista socialista online.

Queda nas taxas de aprovação e perda de apoio entre grupos-chave

Em janeiro de 2025, Trump assumiu o cargo com uma aprovação de 47%. Pesquisas atuais mostram que essa taxa caiu para entre 31% e 34%, indicando que cerca de dois terços dos americanos rejeitam sua gestão. Destacam-se a deserção de setores demográficos que antes formavam parte de sua base eleitoral, incluindo jovens do sexo masculino, eleitores latinos, moradores urbanos e suburbanos, assim como republicanos moderados e de classe média. Além disso, figuras proeminentes do movimento Make America Great Again (MAGA), como a deputada Marjorie Taylor Greene e o ex-apresentador da Fox News Tucker Carlson, romperam publicamente com Trump, refletindo um estado de desorganização dentro do movimento.

Principais motivos para a rejeição popular

A rejeição ao presidente está ligada a uma série de políticas e ações controversas:

  • Intervenção militar no Irã: Em fevereiro de 2026, Trump conduziu os EUA a uma guerra ao lado de Israel contra o Irã sem autorização do Congresso, embora apenas este tenha a prerrogativa constitucional para declarar guerra. Tentativas da Câmara para limitar o poder de guerra do presidente não avançaram no Senado. O conflito gerou o bloqueio do Estreito de Ormuz, causando a alta nos preços dos combustíveis, medida impopular para 65% dos americanos.
  • Tarifas comerciais: Taxas impostas por Trump têm sido desaprovadas por cerca de 63% da população, devido à interrupção de setores econômicos e aumento dos preços ao consumidor.
  • Atuação da agência ICE: As operações violentas da Imigração e Alfândega (Immigration and Customs Enforcement – ICE), que resultaram em prisões de imigrantes de classe trabalhadora e em incidentes fatais envolvendo imigrantes e cidadãos americanos, levaram a uma desaprovação de 60% da agência, que hoje conta com o apoio de apenas 33% da população.
  • Perdão a envolvidos na insurreição de 6 de janeiro de 2021: A decisão de Trump de conceder perdão a deliquentes violentos que participaram da tentativa de golpe no Capitólio é desaprovada por 83% dos americanos.
  • Escândalos de corrupção: Entre 60% e 69% dos eleitores demonstram preocupação com corrupção, conflito de interesses e autopromoção na administração Trump. Um levantamento do CNBC All-America Economic Survey revela que a corrupção é considerada o problema governamental prioritário, acima mesmo dos preços altos de alimentos e combustível.

Outras causas de insatisfação incluem políticas fiscais que beneficiam os ricos, demissões em massa no funcionalismo público e modificações controversas na residência oficial presidencial, que foram amplamente criticadas.

Reações diante do risco eleitoral e mobilização social

Perante a perspectiva sombria para os republicanos, Trump adotou medidas controversas e possivelmente inconstitucionais para tentar influenciar as eleições estaduais, cujas datas são definidas pelos próprios estados, e não pelo presidente. O Departamento de Justiça tem movido ações contra estados, realizando buscas e prisões com o pretexto de barrar votos de eleitores não-cidadãos. Trump também cogita o envio de agentes do ICE ou forças armadas para locais de votação.

Temendo interferência presidencial, cerca de 7 a 9 milhões de pessoas uniram-se recentemente aos protestos “No Kings”, comprometendo-se a defender os locais de votação e o direito ao voto.